Como implementar a transformação digital em sua empresa de maneira prática

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Promover uma revolução tecnológica pode acelerar o avanço de PMEs no mercado


O uso da tecnologia para solucionar problemas comuns é a essência do que chamamos de ‘transformação digital’. Segundo um relatório global da McKinsey, multinacional de consultoria empresarial, apenas 6% das empresas brasileiras já têm processos com foco na transformação digital e possuem de fato, uma cultura digital sólida.

Esse cenário tende a ser alterado nos próximos anos. Uma pesquisa da KPMG realizada em mais de 100 países, mostra que 44% das empresas já têm planos para mudanças no que diz respeito à transformação digital. A procura pela implementação de uma cultura digital nas empresas será parte de uma estratégia prévia, fora os casos em que as empresas já nascerem digitais, explica Andre Luis Oliveira, líder em Cloud e Engenharia na Accenture. 

Segundo o executivo, as principais vantagens competitivas de empresas que priorizam investimentos em TD está na adaptabilidade às constantes mudanças do mercado. “Elas estão prontas a responder mais rapidamente às necessidades do mercado e adaptar seus processos de negócio a essas necessidades”, diz.

Para ele, é possível enxergar a transformação digital nas empresas através do ganho de velocidade e agilidade no atendimento ao cliente e também no surgimento de startups que se tornam negócios extremamente bem-sucedidos em um intervalo de tempo muito curto. “Assim, com a quebra das barreiras de entrada para concorrentes de todos os tamanhos, a democratização possibilita o acesso a tecnologias modernas”.

Com a pandemia, a revolução digital foi acelerada, e empresas passaram a olhar com mais atenção a possibilidade de alterar seus modelos de negócio, priorizando os meios digitais. Em termos gerais, a transformação digital parte da alta liderança, pois exige um planejamento financeiro e também de gestão empresarial. No entanto, não são apenas as grandes empresas que estão limitadas a aplicar os conceitos em seu dia a dia.

Apesar de exigir um investimento, muitas vezes inacessível a pequenas empresas, é possível que elas implementem, em pequenos passos e a longo prazo, uma verdadeira revolução digital. Segundo Oliveira, a transformação digital é um caminho sem volta e uma questão de sobrevivência para as empresas, sobretudo PMEs no quesito competitividade. “No caso de PMEs, oferece a real possibilidade de competir de perto com grandes corporações, o que era uma grande barreira até alguns anos atrás.”

 

Para André Miceli, CEO da MIT Technology Review Brasil e Coordenador do MBA em Marketing e Inteligência de Negócios Digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as empresas precisam se adaptar ao uso de tecnologias para vender mais e gastar menos. “Quando uma empresa tem em sua cultura questões como inovação, experiência do cliente, inevitavelmente ela está preparada para um novo momento”, diz.

A tecnologia transforma não apenas os processos internos de uma empresa, mas refletem uma postura diferente junto aos seus clientes e ao mercado em geral. O surgimento de novos aplicativos e novas versões de sites em empresas que priorizam a transformação digital em seus processos de inovação também são “maneiras práticas de chamar a atenção, gerar novas receitas para não apenas melhorar a experiência dos consumidores, mas criar eficiência operacional”, segundo Miceli.

Uso de dados

Processar o imenso volume de informações produzidas a cada segundo será um dos principais desafios para as empresas daqui pra frente. Por isso, uma cultura digital e técnicas de inteligência de dados, para que sejam usados e extraídos de maneira estratégica.  

Melhoria da experiência do seu cliente

Consiste em fidelizar o seu público, traçando estratégias de comunicação, produtos e serviços de maneira personalizada. “Todas as empresas que querem estar perto e aderentes às necessidades dos seus clientes devem investir na evolução dos seus processos de negócio alavancando os benefícios oferecidos pela transformação, uma vez que todos os seus competidores estão seguindo pelo mesmo caminho”, diz Oliveira. 

Ganho de produtividade

Deixando de lado processos obsoletos, com treinamentos eficazes em determinadas ferramentas, é possível instituir a autogestão e o melhor controle de tempo, desafogando as atribuições dos recursos Humanos e da gestão de pessoas. Algumas plataformas de gestão como Trello e de vídeo como Microsoft Teams e Zoom, são utilizadas para mapear ações e resultados de colaboradores e dinamizar o dia a dia da empresa. “A transformação digital permite um ganho de eficiência nos processos internos das empresas sempre precedentes desde a revolução industrial”, diz Oliveira.

Principais tendências para o futuro

Alguns programas, aplicativos e métodos podem ser usados para facilitar o dia a dia da gestão e também dos colaboradores, trazendo ganho em produtividade e maior eficácia aos negócios. Para Oliveira, ganham destaque as tecnologias que se tornaram mais acessíveis recentemente, como por exemplo o uso de cloud, de inteligência artificial, de dados e de algoritmos preditivos.

Para Miceli, o home office também é uma forte tendência para o futuro. Segundo ele, a estimativa é que ao menos 80% das empresas irão praticar o home office de alguma maneira, mesmo após a retomada das atividades presenciais. Para ele, também haverá uma melhoria nas ferramentas relacionadas ao comércio online e ferramentas que fomentem a colaboração e interação entre colaboradores e empresa, e entre a empresa e seus clientes.

Andre Oliveira reforça que as principais tendências para o pós-pandemia estão relacionadas ao ganho na eficiência da força de trabalho e facilitação do atendimento ao consumidor, mesmo que com distâncias físicas. “Com uso intenso de todo o tipo de tecnologia que facilita o trabalho remoto com produtividade (ferramentas de colaboração são um exemplo claro disso) e por outro lado em tudo que facilita o atendimento ao mercado consumidor sem a presença física do cliente, por exemplo com uso intenso de ecommerce e auto-atendimento.”.

Humanização da tecnologia

A exemplo dos chatbots cada vez mais personificados e humanizados, a tecnologia terá traços cada vez mais realistas e próximos da interação humana real, trazendo uma sensação de familiaridade e eficiência em áreas como atendimento ao cliente, por exemplo.

Como levar a transformação digital à minha empresa?

O ponto de partida, segundo Miceli, é a alteração na cultura da empresa.  “Quanto mais digital ser o pensamento das pessoas, mais efetivo também será o resultado das ações a favor da transformação digital”, diz.

A transformação digital também deve ser considerada desde o planejamento estratégico, fazendo parte da essência e valores da empresa. O investimento em tecnologias, programas e softwares não será o bastante se não houver foco nas ações e clareza da empresa sobre os objetivos com esse investimento. “É preciso saber onde se quer chegar, e como a tecnologia pode auxiliar nesse caminho”, explica.