Empresa ajuda gigantes como Nestlé e Faber-Castell a salvarem o meio ambiente com o descarte de materiais

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Com uma carteira de clientes que atende líderes de mercado, a TerraCycle pretende provar que nada é lixo, mas sim matéria-prima


A TerraCycle tem a difícil missão de ‘reciclar o irreciclável’. A companhia oferece soluções para empresas de todos os portes e em mais de 20 países, viabilizando a reciclagem e descarte consciente de itens como esponjas de limpeza doméstica a instrumentos de escrita. Hoje, a startup é líder no desenvolvimento de soluções ambientais para produtos e embalagens de difícil reciclagem.

A empresa é uma criação do húngaro Tom Szaky, que começou transformando o lixo orgânico coletado no campus de Princeton, renomada universidade dos Estados Unidos, em adubo. Ao escalar as vendas do adubo em garrafas PET, também cresceu a necessidade de formalizar o negócio. Com isso, a empresa ganhou uma proporção maior do que o imaginado, e fez com que o jovem empreendedor abandonasse os estudos para dedicar-se totalmente ao projeto, que se tornou a TerraCycle oficialmente em 2001.

O grande forte da empresa são os chamados Programas Nacionais de Reciclagem, no qual mobiliza pessoas a adotarem medidas para melhor descartar seus resíduos com a ajuda de uma plataforma online. Os programas são gratuitos e são mobilizados graças a empresas parceiras que juntas, incentivam o recolhimento de embalagens vazias de seus produtos e também os das empresas concorrentes. No portfólio, estão empresas como 3M, Nestlé e Faber-Castell. Recentemente, a empresa também se uniu a Hasbro para um programa gratuito de reciclagem de brinquedos da marca quebrados ou sem condições de uso e suas respectivas embalagens.

Renata Ross, Gerente de Marketing e de Relacionamento da TerraCycle, explica que o que de fato diferencia um produto reciclável de um não-reciclável são as questões econômicas. “Quando você considera os custos logísticos e de processamento – como mão de obra e armazenamento – , e eles são superiores ao valor que você conseguiria ao comercializar o produto, ele é considerado como um produto não reciclável”, explica. “Hoje, reciclamos globalmente milhares de toneladas desse material semanalmente, desviando-os de aterros e incineradores”, diz

A empresa conta com um time de engenheiros nos EUA responsável por identificar os componentes nos produtos recebidos e encontrar uma nova forma de reciclá-los e inseri-los novamente na cadeia produtiva. Para isso, a nova matéria-prima é comercializada em forma de resina, para diferentes indústrias. “Grande parte vai para produtos que não são do ramo alimentício. Um exemplo de destino são os cones de trânsito”, explica Renata.

Reciclagem que compensa

Nos Programas Nacionais de Reciclagem da TerraCycle, os times de coleta (como são chamadas os pontos coletores – sejam eles empresas ou instituições), recebem pontos que podem ser convertidos em dinheiro e destinados a instituições filantrópicas, ONGS e escolas públicas da preferência do usuário. A quantidade de pontos varia de acordo com o peso coletado e dos critérios de cada programa.

Em seus quinze anos de existência, a TerraCycle declara ter coletado mais de 7 bilhões de unidades residuais, sendo 35 milhões apenas no Brasil. A empresa também destinou mais de U$S 44 milhões à caridade, sendo R$ 627 mil em doações no Brasil.

Com um número crescente de empresas preocupadas com o próprio impacto no meio ambiente, a inserção em programas como o da TerraCycle é uma oportunidade de reafirmar a responsabilidade social e ambiental. “Grandes empresas e líderes em suas categorias têm a chance de oferecendo soluções de coleta até mesmo de seus concorrentes, e isso só irá reforçar sua presença no mercado”, diz.

Fora do país, a TerraCycle possui soluções que pretende nacionalizar em breve. Uma delas é o Loop, frente de negócios voltada à criação de produtos com design interessante e com embalagens que possam ser duráveis, como inox e alumínio, chamada de Loop. Restrito aos Estados Unidos e França, o Loop deve chegar ao Brasil em 2022, diz Renata.

A Quaker, divisão da PepsiCo, é uma das marcas a utilizar as embalagens duráveis do Loop.

A empresa agora pensa também em ofertar soluções para além do ambiente corporativo, disponibilizando pontos de coleta pública para pessoas que desejam fazer um descarte consciente, mas que ao mesmo tempo não desejam engajar outras pessoas nesse processo. “O maior legado da Terracycle é o processo de conscientização e de informação para seres humanos mais conscientes”, diz. “O futuro do nosso trabalho agora depende do amadurecimento da cultura da reciclagem e da capacidade de dialogarmos com industriais e gestores públicos do país”, diz Renata.