Conheça as histórias de sucesso de 3 empreendedoras brasileiras

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Da moda à produção de eventos e startups de gestão, estas mulheres criaram negócios prósperos no mercado


O Brasil é um dos mercados mais prósperos para o empreendedorismo. E quando falamos na geração de novos negócios por mulheres, o país ocupa a 7ª posição em um ranking mundial. São 24 milhões de mulheres empreendedoras, e quase metade de todos os postos de microempreendedores no Brasil (48%) são compostos por elas, mostra o Sebrae.

Com desafios peculiares no que diz respeito à aplicação e desenvolvimento de empresas, as mulheres tornam-se persistentes em sua jornada empreendedora. Segundo o Sebrae, apesar de possuírem taxas de inadimplência reduzidas, as empresárias ainda pagam taxas de juros maiores em relação aos homens, por exemplo.

Para elucidar o sucesso de algumas mulheres empreendedoras no Brasil, selecionamos três histórias de sucesso que podem servir de inspiração. Dos segmentos de moda e economia criativa até a gestão de empresas e eventos, essas três personagens mostraram que é possível obter sucesso de forma unânime no país. Conheça cada uma delas:

Teresinha Dotto, Paris Buffet

“Quando a gente vem de uma família grande, aprendemos a empreender naturalmente.”, conta Teresinha Dotto, empreendedora e proprietária do Buffet Paris, em Guarulhos, na grande São Paulo. Teresinha faz parte da parcela de 44% das mulheres no Brasil que empreendem por necessidade, mostra pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) de 2018.

De uma família simples e apaixonada por festas, Teresinha sempre sonhou em trabalhar com organização de eventos. Muito distante dessa área, começou a trabalhar com apenas 9 anos de idade. Já aos 14, era funcionária de uma instituição bancária.

No entanto, foi com o divórcio, anos depois, que Teresinha encontrou uma nova motivação para empreender. A sobrevivência era a principal razão, mas junto de seus 4 filhos, percebeu a importância de estimular a sua criatividade e se manter ativa no mercado. “A princípio, a minha necessidade não era apenas financeira, mas sim de ser produtiva”. Com personalidade inquieta e criativa, estava sempre em busca de novos desafios. Assim nasceu o Buffet Paris, em 1992.

Empreendedora há 30 anos, Teresinha deu seus passos iniciais de dentro de sua própria casa. Para ela, o principal desafio desde o princípio, estava relacionado à gestão do tempo. “Demorei muito mais para chegar onde queria, pois tinha que me desdobrar em diferentes rotinas”, ela conta. “Não tive acesso a muitas oportunidades enquanto meus filhos não cresciam e só pude engrenar a empresa quando o meu primeiro filho completou 6 anos de idade.”

As mudanças no perfil do consumidor a impulsionaram a ingressar em uma faculdade de Gastronomia. “O mercado que eu atendia não era mais o mesmo, o cliente estava mais exigente e eu precisava correr atrás desse conhecimento.” Ainda na faculdade, apaixonou-se pela área de gestão, na qual se especializou posteriormente. Além disso, Teresinha também buscou mais conhecimento em alimentação vegana e saudável – um segmento em expansão – e passou a oferecer refeições saudáveis.

Com a pandemia, o corte de equipe foi necessário. Contudo, Teresinha tirou proveito do apoio e orientação concedidos pelo Sebrae para manter a empresa na mídia e apostar na produção de conteúdo para manter o canal de comunicação com os consumidores. A partir daí, surgiram alternativas como as cestas de café da manhã, festas na caixa, por exemplo. “Me perguntei como poderia transformar tudo o que eu sabia fazer em um produto que pudesse chegar à casa de meu cliente”, conta. A migração para os canais digitais também fez com que o buffet passasse a postar receitas e novos pacotes de refeições, sempre com foco no e-commerce e delivery.

Teresinha diz que seu principal conselho para novos empreendedores é entender muito bem o propósito da sua jornada. “Demorei para encontrar o meu real propósito, e isso me atrasou”. Segundo ela, a ausência de planejamento a fez demorar muito mais para chegar onde chegou. O propósito, diz Teresinha, ajuda na busca por um diferencial em seu negócio, e é muito bem-vindo em todas as áreas da vida.

Dani Gábriél, Dume

Formada em publicidade, Daniela Gábriél sempre se imaginou trabalhando em grandes empresas e agências. Ao encarar uma realidade um pouco diferente, há 20 anos, percebeu que uma mulher negra não tinha tanta facilidade de inserção em um mercado tão disputado.

Hoje, moda, empreendedorismo e economia criativa são os grandes alvos para a fundadora da Dume, empresa que fomenta outros negócios sustentáveis e conscientes no universo da moda. Ao longo de 18 anos inserida no mercado da moda, trabalhou com desenvolvimento de produtos e criação e também como estilista.

Foi um incômodo pessoal que a tornou uma empreendedora. “Passei a desenvolver um novo olhar sobre a moda (algo que hoje já é tão comum), levando em consideração a sustentabilidade, impacto ambiental das minhas ações e das empresas em que trabalhava”, conta. Em 2015, esse novo olhar sobre sustentabilidade e consciência do impacto de seu trabalho no meio ambiente e após perceber que apesar de ter um perfil de líder e intraempreendedor, só havia potencializado outros negócios, Dani decidiu investir na abertura de sua startup. Assim nasceu a Dume, em janeiro de 2016.

Como mulher, Dani também destaca a ausência de protagonismo como um dos principais propulsores para o primeiro passo em uma jornada empreendedora. “Já ocupei cargos relevantes, como em coordenação e gerência, mas nunca podia assinar e ter o crédito pelo resultado do meu trabalho.”, conta.

Para ela, o principal desafio ao empreender foi se desvincular da segurança trabalhista. “Sou de uma geração em que as pessoas dão muito valor por estar registrada e segura em uma empresa”, afirma. “Superar essa falsa sensação de estabilidade foi um grande desafio para mim. A Dume, segunda ela, quer trazer um empreendedorismo mais claro e acessível a todos.

Manter a estabilidade do negócio é o principal desafio de Dani na condução de seu negócio. “Ter a segurança para manter uma equipe, gerar empregos, trabalhos e estabelecendo parcerias é um desafio para mim e acredito que para todo o ecossistema”. O acesso ao crédito, segundo ela, também é um dos principais pontos de dor do empreendedor. “Muito além do acesso ao crédito, vejo também como mentora que muitas vezes falta conhecimento até mesmo de como gerir esses recursos”, diz.

Hoje, além de proprietária da Dume, é mentora do projeto Google para empreendedores e também na Rede Mulher Empreendedora (RME), oferecendo palestras, educação, e consultoria para outros empreendedores(as).

“Como mulheres, temos uma visão 360º do todo. Por outro lado, temos que insistir na quebra de algumas barreiras de acesso a crédito, informação e até mesmo visibilidade”, diz. Para os empreendedores novatos, Dani recomenda conhecer a fundo a missão de seu negócio, e onde deseja chegar com ele. “Tenha clareza do potencial e propósito do seu negócio. Também procure unir o que ama com práticas administrativas, sempre buscando mais conhecimento”.

Fabiele Nunes, Startup Mundi

O ecossistema de inovação brasileiro é a grande paixão de Fabiele Nunes, cofundadora da Startup Mundi, que gamifica processos, planos de negócios e auxilia empresas a entenderem as etapas de estruturação de uma startup através de jogos interativos.

Após uma carreira de 15 anos no mundo corporativo e uma passagem de 8 anos em uma multinacional em Dubai, Fabiele resolveu retornar ao Brasil, em 2017. De volta à Florianópolis (SC), a expansão do ecossistema de startups e inovação no Brasil a surpreendeu. “Quando voltei, fiquei fascinada com esse novo ecossistema que se criou na ilha”, diz. “Imediatamente quis entender como me inserir mais naquilo e criar algo que ajudasse nesse crescimento”.

Fabiele diz que nessa nova realidade do mercado, deparou-se com o confronto de mentalidades. “Presenciei esse choque entre a maneira de pensar e agir de grandes corporações e startups que promovem inovação”. Em janeiro de 2017, a ao lado de um amigo, fundou a Startup Mundi. Para ela, o grande motivador para empreender foi a oportunidade de mercado, além de uma afinidade muito grande com o propósito da Mundi. “Me apaixonei pela solução e pelo problema que estávamos resolvendo. Éramos inovadores.”, conta. Desde então, a Mundi se estabeleceu como uma das startups mais reconhecidas do mercado e é uma das 100 startups mais inovadoras do Brasil.

Para ela, a parte mais difícil em sua jornada empreendedora foi estabelecer os primeiros clientes de relevância para o seu negócio. “A fase inicial de inserção no mercado é sempre a mais complicada. Vemos a exigência do mercado por um grande cliente para ‘validar’ o seu produto.”, conta.

Segundo Fabiele, há um momento na vida do empreendedor em que é preciso fazer uma escolha e decidir entre continuar em um emprego fixo, ou dedicar-se totalmente ao seu negócio, após a concepção. “A jornada empreendedora é bem árdua e nesse sentido, e ela não funciona como hobbie.”, diz. Fabiele também é membra fundadora do Acate Mulher, rede de incentivo ao empreendedorismo feminino em Santa Catarina, além de mentora do Estação Hack, programa do Facebook para incentivo a empreendedores sociais.

“Como mulheres, estamos mais suscetíveis às inúmeras imprevisibilidades da vida.” Segunda ela, além das responsabilidades da maternidade, a mulher empreendedora – como em seu caso – também deve conseguir lidar com a sobrevivência do negócio, bem-estar de seus colaboradores e fornecedores, ao mesmo tempo em que está mais exposta financeiramente. No entanto, ela destaca que a habilidade adaptação e flexibilidade são características comuns e vantajosas.

Para ela, quando há identificação com o propósito, a jornada empreendedora se torna muito mais leve e simples. “Empreender com motivação e paixão nos permite manter firmes até mesmo em um contexto de crise”.