Crowdfunding: saiba como funciona a modalidade de investimentos para pequenas e médias empresas

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O Crowdfunding pode ser um ótimo investimento para alavancar os seus negócios


Ao redor do planeta, grandes investidores separam várias fatias de seu dinheiro para investir em empresas e, assim, diversificarem as suas aplicações. Por aqui não seria diferente, e uma das formas de realizar esse processo é o chamado crowdfunding. 

Essa modalidade, que foi regularizada no Brasil em 2015, funciona da seguinte maneira: o investidor, em primeiro lugar, escolhe uma plataforma para abrir sua conta. Depois, é preciso analisar com atenção a empresa que está captando com as informações disponibilizadas pela rede e acessar os canais adequados para tirar dúvidas. “Algumas plataformas oferecem webinar, lives, grupos de WhatsApp direto com os fundadores da empresa, entre outros. Após escolhido (onde investir), o investidor reserva, paga e acompanha a evolução da empresa junto ao R.I (Relacionamento com Investidores) da plataforma. Via de regra, o investidor terá seu retorno recebendo juros”, explica Rodrigo Carneiro, presidente da Associação Crowdfunding.

Evolução no Brasil

Após a regularização no país, houve um hiato de dois anos e apenas em 2017 a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a instrução CVM588, que regulamenta ainda mais o setor ao trazer normativas concretas sobre as negociações. “Foi a partir daí que o crowdfunding de investimentos passou a crescer exponencialmente ano após ano”, conta Carneiro. Atualmente, o Brasil tem 33 plataformas aprovadas pela CVM e mais três que tiveram seus registros suspensos. Porém, desse total, apenas 18 tiveram atuação como plataforma de crowdfunding em 2020. 

Para se ter uma ideia do poder dessa modalidade de investimento, no ano passado, em torno de 132 empresas foram beneficiadas por meio de crowdfunding. Já em 2019, foram apenas 68 companhias agraciadas. “Um aumento expressivo em um ano de pandemia”, acredita Carneiro.

Ajuda aos empreendedores

E o crowdfunding pode ser uma mão na roda para o crescimento da sua empresa, sendo recomendado para companhias em estágio de pré-seed (inicial, sem validação do produto ou serviço no mercado), seed (produto ou serviço já foi validado no mercado) e como complemento de rodadas série A. “Vemos que os recursos do crowdfunding são mais utilizados para crescimento de equipe, marketing e ações de vendas. Empresas que possuem uma boa base de clientes se beneficiam muito ao conseguirem tornar seus já fiéis clientes em investidores, criando, assim, uma verdadeira rede de investidores vendedores do seu negócio”, afirma o presidente da Associação Crowdfunding.

Para Camila Nasser, CEO da KRIA, plataforma de crowdfunding, a captação de investimentos é um dos momentos mais difíceis para o empreendedor. “Tem muita coisa em jogo – e ele está ‘vendendo’ um de seus bens mais preciosos, que é um pedaço do negócio que está construindo. Ninguém pode sair de um processo de captação de investimentos da mesma forma que entrou: são muitas conversas e provocações estratégicas sobre o negócio, novas ideias (boas e ruins) e importantes validações. Do nosso lado, buscamos desde o primeiro contato com o empreendedor ajudar com questionamentos estratégicos, feedbacks qualificados ou, principalmente, conexões fortes”, completa. 

Critérios para o crowdfunding

De acordo com a CVM588, o primeiro ponto para poder fazer parte do financiamento é o tamanho da companhia, que deve ter um faturamento no último exercício contábil de até R$ 10 milhões e limite de captação de R$ 5 mi a cada 12 meses. “A empresa não pode ter pendências com a CVM, ou mesmo falimentares ou com crowdfundings anteriores”, esclarece o presidente da Associação.

Alguns tipos de organizações também não podem se beneficiar do modelo de financiamento, como, por exemplo, os MEIs. “Em algumas plataformas, a empresa precisa estar operacional, ou seja, faturando e ter os seus sócios trabalhando o tempo todo no negócio para poderem fazer suas ofertas”, comenta. 

Para Felipe Souto, CEO da plataforma Bloxs, aqueles empreendedores que possuem projetos sólidos e que desejam atrair sócios ou levantar capital junto a investidores para expandir suas operações estão aptos para buscar o crowdfunding. “O Brasil é um país continental com boas oportunidades de Norte a Sul e que, por vezes, são deixadas de lado por falta de acesso a funding alternativo ao sistema bancário”, finaliza.