Empreendedorismo negro no Brasil: conheça duas iniciativas que estão ganhando destaque no mercado

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A BlackRocks e OnePercent são empresas fundadas por empreendedores negros e que buscam impulsionar o ecossistema de inovação do país


O Brasil tem hoje 56% da população declaradamente negra, e isso também se reflete no mercado de trabalho: mais da metade (51%) dos empreendedores do país são pessoas negras, que também são responsáveis por 27% do PIB brasileiro, de acordo com uma pesquisa do Sebrae.

Apesar de movimentar cerca de R$ 1,5 trilhão por ano, menos de 0,1% das empresas brasileiras que recebem investimento têm algum empreendedor ou empreendedora negra em seu grupo de fundadores. Além disso, a população negra tem uma média salarial 60% inferior.

Para promover o crescimento de startups de tecnologia fundadas por pessoas negras e viabilizar o acesso a treinamentos e capital e facilitar a conexão com grandes empresas e aceleradoras, surgiu a BlackRocks Startups, uma das principais aceleradoras do país.

“A BlackRocks nasceu da perspectiva que o ecossistema de startups não é totalmente inclusivo” conta Maitê Lourenço, fundadora da BlackRocks. “Promovemos desde festivais de inovação, mentorias e programas de aceleração, que tem o objetivo de trazer startups early stage com possibilidade de tracionar e de conexão com grandes empresas”, explica.

Recentemente a BlackRocks anunciou uma parceria de 2 anos com o Banco BTG para a aceleração de 24 startups fundadas por empreendedores negros, sendo 20% delas lideradas por mulheres em cada um dos três batchs – ou rodadas de aceleração – previstos.

Segundo Maitê, em contexto de pandemia, as startups que serão aceleradas junto do BTG Pactual trazem uma percepção mais nova sobre soluções online, evidenciadas pela pandemia. “Essas empresas têm uma noção de que o mundo físico está cada vez mais extinto. As soluções trazidas por elas, agregam o dia a dia de forma online”, conta. “O ecossistema de startups já fomenta naturalmente a digitalização, mas principalmente agora, as soluções agregam não só o processo de construção, mas que ajude pessoas desde a base da pirâmide, mas também na perspectiva digital”, diz.

A BlackRocks está buscando cada vez mais parceiros para expandir sua atuação e fomentar negócios em todo o Brasil. “Queremos aumentar em 2021 ainda mais nosso alcance e criar uma estrutura robusta de investimento para apoiar cada vez mais as startups”, diz.

Maite Lourenço, fundadora da BlackRocks Startups.         (Foto: Divulgação)

Para Maitê, a parceria com o BTG viabiliza até mesmo oportunidades de internacionalização de startups e aproximação com importantes instituições financeiras. A parceria com o BTG nos ajuda a mostrar que startups de fundadores negros e com foco em tecnologia também têm um potencial imenso para serem aceleradas também por grandes bancos”, conta.


Tecnologia de ponta aplicada ao dia a dia


A OnePercent exemplifica bem o conceito de empresas com soluções digitais. A startup já nasceu num formato digital, ainda em 2017, e se inscreveu para a mais recente rodada de aceleração da BlackRocks, oferecida em parceria com o banco BTG no mês de novembro – e que rendeu uma parceria perene com a aceleradora.

A empresa de tecnologia fundada por Fausto Vanin, empreendedor negro da região Sul do país, surgiu do desejo de levar mais informação e desmistificar o blockchain, fazendo com que empresas explorem a tecnologia e a implementem em larga escala. “Vivenciamos o desafio de explicar o blockchain dia após dia”, explica Fausto Vanin, CEO e sócio da OnePercent. A startup aborda empresas para mostrar os benefícios do blockchain, como aumentar o controle a segurança e transparência de processos. Nos últimos três anos, entre palestras, aulas e cursos, Fausto estima ter apresentado o blockchain para mais de 10 mil pessoas.

Vanin conta que a parceria da BlackRocks com o BTG Pactual foi uma das principais motivações para a inscrição no processo de aceleração. “Saber de todo o trabalho que o BTG tem agora com a BlackRocks e essa conexão próxima com o mercado foi mais um motivo de interesse em participarmos da ação”, explica. “Queremos deixar de sermos vistos como uma startup do sul, para sermos vistos como startup do Brasil”.

Fausto Vanin, CEO da OnePercent.  (Foto:Divulgação)

Promoção da diversidade
A OnePercent ocupa hoje duas cadeiras na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entidade do Ministério da Economia. As posições são nos grupos de trabalho de fintechs e no impacto, que possui um subgrupo voltado à diversidade.

O empreendedor conta que apresentou uma proposta à CVM com ações afirmativas para equidade no mercado de capitais. “O acesso ao crédito é elemento fundamental na elevação do povo preto no Brasil. Ter acesso ao mercado financeiro e acesso ao crédito vai mudar vidas das pessoas – e o empreendedorismo faz parte disso”, explica.

“Como empreendedor negro no país, defendo que temos que ter ações afirmativas de diversidade no mercado”, pontua. “Se não tomarmos ações frontais em promover equidade  nesse sentido, não mudamos esse contexto de desigualdade”, conclui.

Sobre a iniciativa
Entendendo a complexidade do tema e a importância do ecossistema de empreendedorismo negro no país, o BTG Pactual se uniu a BlackRocks para acelerar startups de fundadores negros pelos próximos dois anos. O objetivo é fomentar as startups, estimular a troca de experiência e criar conexões e entre iniciativas de tecnologia e grandes empresas.