Fundo Dona de Mim: conheça o projeto social e seus impactos

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A vice-presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Sônia Hess, conta os detalhes da ação de microcrédito e doação em comunidades.


O Fundo Dona de Mim é uma iniciativa do Grupo Mulheres do Brasil para que microempreendedoras possam manter ou iniciar uma atividade geradora de renda a partir de um fundo de microcrédito. A ação é recente – teve lançamento em 2020, em plena pandemia -, mas vale destacar que o Grupo existe desde 2013 e, conforme explica a vice-presidente do Grupo, Sônia Hess, começou com 40 mulheres e hoje reúne mais de 77 mil voluntárias em busca de políticas públicas e melhores condições de vida para mulheres de todo o Brasil.

Conversamos com a Sônia para conhecer a história e os impactos da última ação emplacada pela rede – o Fundo que já auxiliou mais de 500 mulheres com até 3 mil reais cada para que pudessem investir em seus negócios.

Como surgiu o Fundo Dona de Mim?

Ao realizar uma mentoria no Rio de Janeiro, durante a pandemia, Sônia Hess começou a ouvir histórias simultâneas de mulheres que estavam sem dinheiro para investir minimamente em suas produções e seguir com uma renda familiar. “A mãe de uma delas fazia marmita e ela entregava, mas a geladeira comportava 40 marmitas e, se elas tivessem um freezer, caberiam 120. Sem acesso a crédito, não poderiam conseguir isso. Nesse mesmo dia, minha manicure me ligou dizendo que estava fazendo jogos americanos em crochê, mas não tinha mais dinheiro para comprar linha”, conta Sônia.

Foi então que a empresária começou a ir atrás de microcrédito para mulheres que estavam vulneráveis diante da crise causada pela pandemia. “O projeto piloto começou com a nossa doação: 63 mulheres doaram dinheiro e a gente pôde emprestar para 335 mulheres MEIs e mais 150 mulheres de comunidades”.

A fase 1 terminou em outubro de 2020 e, para seguir para a fase 2, no início de 2021, o Fundo Dona de Mim firmou parceria com o BTG+ business e a área de Responsabilidade Social do BTG Pactual, que ofereceram 3 milhões de reais em crédito social para atender mais mil mulheres.

Por que “Dona de Mim”?

Sônia conta que as mulheres contempladas pelo fundo não costumam ser bancarizadas e raramente têm acesso a crédito. “Essa mulher vive numa corda bamba. Precisa sustentar a família, cuidar dos filhos, muitas não têm um companheiro, elas precisam se cuidar. Trabalham o tempo todo para conseguir sobreviver”.

Com a possibilidade do crédito nas mãos delas, a ideia é instrumentalizá-las para que tenham condições de trabalhar dentro de casa, se assim precisarem. Muitas delas, conta Sônia, criam espaços em casa para fazer cabelo, sobrancelhas, produzir molhos e massas.

Citação de Sônia Hess: A gente quer empoderar essa mulher com autonomia. Chama Fundo Dona de Mim porque ela é dona. Dona das suas escolhas, do seu futuro, dos seus sonhos, dona da sua vida.

Impacto de mulher para mulher

A precursora do Fundo Dona de Mim comenta que ainda não existia uma linha de crédito no Brasil voltada para a mulher, e que todo o projeto foi pensado para mulheres ajudarem outras mulheres para, assim, gerar impacto. “A menina do Rio me mandou fotos das quentinhas no freezer, toda feliz. Minha manicure agora tem o estoque de linha e no tempo livre consegue produzir para vender. Conversei com mulheres do Capão Redondo, do sertão do Ceará e de outras regiões, que já estão se desenvolvendo com esse dinheiro. Isso não tem preço”, diz Sônia.

Qualquer mulher que tenha um registro como MEI pode solicitar o microcrédito pelo site http://www.fundodonademim.org.br. O valor do empréstimo é de 3 mil reais e o pagamento começa a partir do quinto mês, por 12 vezes de 270 reais. Após receber o crédito, a empreendedora também ganha acesso a um curso de qualificação e o acolhimento de uma funcionária do BTG.

Doação e capacitação nas comunidades

Além da ação de microcrédito para MEIs, Sônia reforça que trabalha em paralelo em busca de investimento social vindo 100% de grandes doações para operacionalizar o atendimento em comunidades, para mulheres que estão começando a vida, fazendo bolos ou comprando e vendendo algum produto, por exemplo. “Trabalhamos com grupos de cinco mulheres e uma líder em cada comunidade. Elas se preparam, se capacitam e se ajudam, recebendo o dinheiro e, depois de 12 meses, devolvendo para que ele continue girando em outros grupos”, explica Sônia.

Desde que o projeto teve início, 30 grupos já foram criados em quatro comunidades em São Paulo, Mogi, Franca e no Ceará. A expectativa, no entanto, é levar essa oportunidade a todas as comunidades do Brasil.

“Ainda é uma gota num oceano, mas tendo funding eu posso fazer milhares de grupos”, aposta Sônia. “Tem uma diferença social muito grande no nosso país. Muitos vivem em bolhas e existe uma periferia muito necessitada – de dinheiro, mas também de carinho, orientação e conhecimento – e é isso que a gente está oferecendo com o Fundo Dona de Mim”.