Investidores de sucesso mostram o que é preciso avaliar antes de investir em uma empresa

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João Kepler e Caito Maia dão dicas práticas sobre o que fazer para investir em outros negócios


Os caminhos para o empreendedorismo no Brasil são muitos. Para aumentar a sua participação no mercado – e seus lucros – alguns empreendedores tomam a frente de negócios inovadores e se tornam investidores em outras empresas – por vezes, de segmentos até bem distintos de sua área de atuação.

João Kepler, um dos principais nomes ligados à inovação, empreendedorismo, investimentos e startups no Brasil, é também um dos principais investidores de startups no país. Com a sua empresa Bossa Nova Investimentos, já realizou mais de 600 investimentos em startups. Como investidor anjo desde 2018, Kepler avalia quais critérios levar em consideração antes de investir recursos em uma outra empresa, seja ela uma companhia consolidada ou uma startup.

Para ele, a avaliação de um investimento deve seguir algumas etapas. A primeira delas é avaliar detalhes como: os empreendedores da empresa, seu modelo de negócio, validação, do mercado, capacidade de escala, burn rate, rateio do investimento solicitado, faturamento, margem e saídas futuras, nessa ordem. Contudo, Kepler chama a atenção para empresas ditas como promissoras e que atraiam os olhos do mercado. “Quando se trata de investimento e principalmente do SEU dinheiro, é preciso ir além do óbvio para acertar”, diz.

Investir em outras empresas, para Kepler, está relacionado à diversificação e à alternativa de resolução para problemas urgentes. Já em relação às startups, o baixo endividamento, baixo custo e alta performance, negócios mais resilientes em momentos de incertezas, capacidade de adaptação ao mercado e familiaridade com o home office são fatores que, por si só, justificam os porquês.

Investir em outras empresas não fazia parte dos planos de Caito Maia até a início de sua participação no programa televisivo Shark Tank Brasil, há cerca de 4 anos. O empreendedor e fundador da Chilli Beans conta que desde então, ofereceu aporte para pelo menos 8 startups. Para ele, investir em empresas recém-chegadas ao mercado trata-se de uma oportunidade de expansão de portfólio, além de incentivar o ecossistema de empreendedorismo. Para ele, existem diversas maneiras de fomentar o empreendedorismo que vão além do investimento em capital, como por exemplo oferecendo mentorias, orientações, entre outras coisas.

O que avaliar antes de investir em uma empresa

O primeiro passo para quem deseja investir é saber quanto você pode direcionar para aquele negócio, ter consciência de qual retorno você terá e em quanto tempo. “Muitos investidores ainda se decepcionam hoje em dia porque literalmente apostam em ilusões, não avaliam as reais condições e situação do negócio”, explica Kepler. “Pense bem no que você quer e como pretende conseguir para não entrar para o time dos frustrados”, recomenda.

Se você é um investidor inexperiente e pretende se arriscar em áreas do mercado que desconhece, o segundo passo é ouvir a opinião de especialistas na área e segmento seguir quem tem muita experiência no assunto e também uma assessoria jurídica especializada.

 

Segundo Kepler, algumas dicas são capazes de auxiliar no direcionamento de investimentos e ajudam a minimizar as chances de perda. Uma delas é não esperar que o retorno do investimento aconteça no prazo médio de dois anos, pois geralmente leva mais tempo. Ser criterioso e realista é a segunda dica. Para ele, é preciso ter pé no chão e deixar de lado as ilusões fantasiosas. “Não existem centenas de ótimos projetos a nossa disposição todo dia e não se iluda e acredite que a Startup vai saber vender e faturar sozinha, que o mercado é enorme e promissor”. Por último, ele ressalta que os riscos continuam sendo os mesmos, independente da empresa ter sido acelerada no passado ou não.

Maia também recomenda o realismo como critério de escolha. “Como investidor, costumo investir em coisas mais ‘pé no chão’.” Para ele, é essencial que se conheça profundamente o segmento da empresa e compreender a sua essência. Também é importante que o proprietário da empresa tenha paixão pelo negócio e apresente números concretos sobre ela.

Para entender qual é o procedimento recomendado para investimento, é preciso ter consciência do estágio em que o projeto/empresa se encontra. Se ela ainda é apenas uma ideia pré-concebida, o ideal é procurar por conhecidos e parentes que poderão ser seus anjos. Se é um projeto validado, mas ainda em desenvolvimento, Kepler recomenda a busca por um empresário com afinidade no segmento do seu negócio. Também é válido submeter seu projeto a uma aceleradora.

Caso o projeto já esteja finalizado, mas precise de tração, ele recomenda colocá-lo no mercado, para que os próprios clientes sejam seus investidores.“Submeta à avaliação de anjos experientes para ter um “padrinho” ou quem sabe um Deal Leader, para uma captação de investimento”, orienta. Por fim, se é um projeto que tem escala e tração, procure um investidor experiente que possa auxiliar com rodadas maiores de investimento. 

No caso dos empreendedores que estão pensando em investir em outras empresas, Caito Maia recomenda investir recursos mais assertivos em empresas já consolidadas. “É importante ver o quanto esse negócio já está de fato ‘existindo’ e acontecendo”. Segundo ele, também é necessário entender o comprometimento e foco do dono da empresa na qual você deseja investir e entender as projeções futuras. Caso o seu foco seja na expansão, é importante entender se a empresa tem um modelo de negócio multiplicável. “Pode ser que ainda não tenha o formato, mas a empresa tenha o potencial para isso. Isso também é válido’, explica. Para ele, 30% de participação na empresa é a parcela máxima de aquisição recomendada em uma empresa.

Segundo Kepler, em um contexto de pós-pandemia, alguns segmentos devem ganhar destaque, despertando o interesse de empresários que desejam investir. “No mundo das startups, muitas estão “surfando” (no bom sentido) essas duas ondas do Coronavírus: na onda da SAÚDE e na da economia”, diz. “Diversas soluções de startups foram apresentadas à sociedade através de iniciativas colaborativas que estão ajudando na sobrevivência das pessoas e também atendendo e ajudando diretamente as pessoas e os negócios a não se afogarem e continuarem operando, seja com delivery, com e-commerce e com diversos meios, ferramentas, plataforma e serviços digitais”, explica.

Já para Maia, a tecnologia não é o limite. Investir em setores já estabelecidos, mas com sistemas arcaicos e que precisam ser renovados e modernizados é uma alternativa. “Investir na experiência do cliente, renovando a percepção dos serviços antigos, mas dando uma ‘cara nova’. Nesse sentido, temos oportunidades em vários setores“, diz.