O que é a LGPD e como ela pode impactar a sua empresa

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Legislação endurece regras para o uso de dados na internet


Os dados são o novo petróleo.  A frase dita pelo empresário britânico Clive Humby em 2006 nunca foi tão atual. Com a digitalização, o valor das informações domina o mundo dos negócios e define estratégias para empresas de todos os portes e segmentos.

Nesse contexto, surge a Lei Geral de Proteção de Dados, ou LGPD, um conjunto de normas a serem seguidas no que diz respeito à captação, armazenamento e uso de dados pessoais de pessoas e empresas, tanto no meio offline quanto no online, permitindo que pessoas entendam exatamente como seus dados estão sendo utilizados. A nova legislação foi criada ainda em 2018, mas entraria em vigor apenas em agosto deste ano. Com a pandemia do novo coronavírus, no entanto, é previsto que ela passe a vigorar em maio de 2021, quando empresas passarão a ter 18 meses para se adequarem.

Com a LGPD, tratar com responsabilidade e de forma sigilosa os dados de seus clientes deixa de ser apenas uma conduta recomendada, e passa a ser uma obrigatoriedade, para que todas as companhias se adequem. A lei irá afetar a forma como empresas se relacionam, captam e armazenam os dados de seus clientes.

A preocupação com segurança cibernética e privacidade é uma tendência crescente de maneira global. As recentes atualizações do Google são um exemplo claro disso. A gigante de tecnologia passou a permitir aos seus usuários a escolha sobre a concessão – ou não – de seus dados pessoais como fotos, vídeos e até mesmo localização e histórico de buscas. 

Como a LGPD afeta a minha empresa?

Competitividade é o primeiro ponto. ‘Práticas erradas agora devem reduzir muito, como compra de base de dados de terceiros, espionagem, uso ilegal e roubo de informações. Dando às empresas oportunidade de competirem de forma “limpa”, encontrando oportunidades de gerar seus dados com marketing de relacionamento, anúncios etc.” diz Diego Carmona, fundador e CVO da leadlovers, empresa de automação de marketing digital e vendas que trabalha com captação de leads e gestão de dados.

Em termos práticos, a LGPD vem para tornar mais rigorosas as fiscalizações e punições. Já para quem tem um negócio, a aplicação prática da LGPD poderá ser vista em seu dia a dia interno. Quando, além de precisarem excluir dados de bases antigas e desatualizadas, também precisem conscientizar seus colaboradores para a criação de processos mais rígidos de organização de planilhas e acesso a dados. 

Hoje, é comum que empresas acumulem dados, antes mesmo de definirem a finalidade para o seu uso. Com a LGPD em vigor, as empresas deverão seguir princípios básicos de captação, estabelecendo a coleta apenas para dados que serão efetivamente usados na comunicação direta com os consumidores.

“Dar a liberdade para os colaboradores e clientes saberem e escolherem como seus dados serão tratados, excluir informações quando solicitado pelas pessoas, e avisar sobre problemas de vazamento de informações também são outros exemplos, segundo Carmona.

Além de estarem sujeitas às penalidades da lei, as empresas que não respeitarem a LGPD podem sofrer com a cobrança de seu próprio público consumidor e perderem chances de fecharem negócios devido a ausência de transparência. “As pessoas vão buscar entender e cobrar das mesmas informações sobre o tratamento dos seus dados”, diz Carmona.

Para lidar com as novas exigências, as empresas deverão adaptar seus modelos de relacionamento com os clientes. Na geração de leads, por exemplo, o marketing assumirá um novo papel, com uma visão mais estratégica e fazendo escolhas mais transparentes sobre os canais de relacionamento com seus clientes.