Os desafios de uma mãe empreendedora

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Como a mãe empreendedora consegue cuidar do negócio e dos filhos


Já reparou como muitas vezes a mulher age como uma equilibrista de pratos? Precisa dar conta de várias funções ao mesmo tempo: a mãe, a filha, a empreendedora, a companheira, a amante, a amiga… Manter os pratinhos girando requer foco e energia. Conciliar dois papéis como a cuidar de filho e de um negócio já consiste em uma árdua missão, porém, possível. Só quem vive essa realidade pode dizer como é lidar com os desafios do dia a dia, como é o caso da empresária Julia Rizzo, mãe da Olívia, de 4 anos, e da Manoela, que acabou de nascer.  

Persista na sua vontade de empreender!

A vontade de ter um negócio acompanha Júlia desde a época da faculdade, quando tinha 18 anos e cursava Propaganda e Marketing na ESPM, em São Paulo. Até chegou a vender moda íntima, mas ainda não era o ramo em que iria se firmar.  Ela preferiu encerrar o negócio logo por falta de conhecimento do mercado e porque queria focar na carreira como publicitária. 

Cinco anos depois, já graduada, nos preparativos da festa de casamento dela, descobriu e se encantou pelo mundo dos doces, quando conheceu vários fornecedores e produtos de qualidade. No nascimento da primeira filha passou a repensar sobre estilo de vida e propósito. “Foi aí então que comecei a fazer diversos cursos na área para poder empreender” revela a empresária. 

Ter domínio total sobre o produto ou o serviço que se vai oferecer é essencial para a existência e a manutenção de qualquer negócio. A busca pela capacitação constante deve ser prioridade para todo empreendedor ou empreendedora. Outro ingrediente que não pode faltar em uma jornada empreendedora é coragem. Isso Julia tem de sobra. Prova disso foi quando pediu demissão da Rede Globo, onde trabalhou por 4 anos. 

Parece loucura, mas o desejo de empreender falava mais alto. No início de 2019, aos 32 anos e uma filha com quase 3 anos, começou a colocar literalmente a mão na massa. Surgia a Ju Rizzo Doces e Delícias. Os primeiros pedidos da doceria foram de amigos e familiares. Logo em seguida, passou a fornecer doces para festas temáticas infantis: cupcakes, pães de mel, cake pops. Aos poucos, foi trabalhando mais com bolos e brigadeiros, principalmente por conta da pandemia, que o mudou a forma de consumo.

Maternidade e Empreendedorismo

E a pergunta que não quer calar: como Julia faz para conciliar a maternidade e o negócio? “Esse é um grande desafio, mas, quando se gosta do que faz, tudo flui melhor”, essa foi a resposta da empresária. Organização e planejamento também ajudam a dividir a atenção entre a família e demandas de doces. Ela conta que como dona do negócio tem mais flexibilidade de horário. “Tenho a possibilidade de organizar a agenda de trabalho de forma que me permita cuidar das minhas filhas também”, afirma Julia.

Os pedidos foram aumentando, e de repente veio a pandemia. “Tive que equilibrar os pratos com muita paciência, pois o negócio cresceu e o tempo dedicado às filhas aumentou” desabafa a empresária. O desafio ficou ainda maior, pois agora com uma filha recém-nascida precisa se dividir entre as encomendas e atenção com o bebê. E nesse caso, algumas funções não têm como ser delegadas, como é o caso da amamentação. O tempo para a doceria teve que ser ajustado à nova realidade. 

Muitas mulheres empreendedoras podem se sentir culpadas por não conseguirem se dedicar ao negócio tanto quanto gostariam. Porém, é muito importante entender que o sentimento de culpa não acrescenta em nada, pelo contrário, pode trazer frustração. Julia admite que “a gente perde de um lado, mas ganha de outro. E nessa equação, você tem que ganhar, onde tem mais peso e relevância para sua vida”. É fundamental ter o discernimento que a vida é feita de fases. E nesse momento, a maternidade exige mais prioridade e atenção do que outras áreas. 

Trabalhar a mentalidade para entender que nem sempre dá para dar conta de tudo e que vai haver imperfeição e frustração, tem sido fundamental para Julia nesse processo. “Ser mãe é a tarefa que mais exige de você, sem dúvida, porque à medida que seu filho vai crescendo, não é só o trabalho físico que demanda, mas sobretudo o emocional, afinal educar dá trabalho. Exige mais paciência e menos impulsividade” explica a empresária.

Julia destaca que ter uma rede de apoio é muito importante para ter uma vida mais leve. “Ter um marido que entende o seu dia a dia ajuda muito também.” Além disso, comenta sobre a importância do autocuidado. Segundo ela, “tirar alguns minutos ou horas para cuidar de você é essencial justamente para manter essa balança em equilíbrio”.

Para muitas mulheres, empreender vai além ter um próprio negócio, significa liberdade, e independência. “O fato de ser dona do próprio nariz não foi o gatilho, mas com certeza sempre gostei dessa possibilidade. A autonomia de um empreendedor é realmente libertadora, principalmente quando se sabe lidar bem com os riscos.” conclui Julia.