Pink Farms: inovação e tecnologia no cultivo de produtos naturais

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A startup apresenta uma forma de fazer o que sempre foi feito para a sobrevivência humana, só que em um centro urbano e com alta economia de recursos naturais.


Uma das maneiras de inovar é melhorar o processo de algo que já existe. Foi o que a startup Pink Farms fez. O cultivo dos produtos naturais e frescos teve um impacto na sobrevivência humana e, apesar de todos os avanços tecnológicos pelos quais a agricultura já passou, Geraldo Maia e os irmãos Mateus e Rafael Delalibera encontraram uma forma ainda mais eficiente de realizar esses processos: com a maior fazenda vertical urbana da América Latina.

Crédito: @danmagatti

O que é a Pink Farms?

Certamente não é sobre cultivar vegetais de uma forma mais bonita no meio da cidade. A empresa surgiu para trazer soluções sustentáveis no cultivo de produtos naturais alimentícios. 

Geraldo Maia conta que o sistema de cultivo depende de uma tecnologia proprietária da Pink Farms. De forma resumida, trata-se de um sistema composto por torres verticais de 10 níveis (serão mais no futuro). “Cada uma delas tem o seu sistema de hidroponia*, iluminação artificial e ventilação. Dessa maneira, conseguimos controlar 100% das variáveis de cultivo”, explica Geraldo. Aliás, o resultado da combinação de luzes mais adequada para o cultivo gerou uma coloração rosa, que levou ao nome “Pink Farms”.

*Hidroponia: técnica de cultivar plantas sem solo

O sócio-fundador revela que, dessa maneira, eles criaram uma receita perfeita para cada planta específica. Com isso, é possível maximizar a sua qualidade (sabor, textura, cor, crocância, tempo de prateleira) e a produtividade, que é 100 vezes maior por área do que no campo.

Crédito: @danmagatti

Mais sustentável que o tradicional

Um dos objetivos da Pink Farms é trazer otimização, levando ao uso mais consciente dos recursos naturais. A tecnologia entra a favor da sustentabilidade. Alguns dos pontos que exemplificam são:

  • Economia de água: mesmo utilizando o sistema hidropônico, a água de irrigação é aproveitada e reutilizada até que seja necessário fazer a troca de solução por perda de eficiência. Além disso, toda a água que a planta transpira é condensada, filtrada e reutilizada, fazendo com que a perda seja muito pequena. Essas atitudes levam a uma economia de 95% em relação ao cultivo no campo.
  • O processo de cultivo é livre de agrotóxicos e foi pensado para ter o mínimo de desperdício.
  • Existe a redução de 90% do deslocamento, já que a fazenda fica na capital paulista e seu atendimento está na cidade de São Paulo. Consequentemente, reduz todo o impacto ambiental gerado pelo transporte dessa cadeia.
  • Os produtos são vendidos prontos para o consumo e não requerem lavagem no processo de cultivo nem quando o consumidor o leva para casa . “É o produto mais fresco que você vai comer”, afirma Maia.

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Para atender mais pessoas

Mas, afinal, quanto custa para consumir os produtos da Pink Farms? O sócio-fundador conta que, atualmente, o preço de venda é próximo do cobrado pelas folhas tradicionais das gôndolas refrigeradas nos mercados. “No geral, hoje o consumo está focado para os públicos socioeconômicos A, B e C que pagam um valor a mais para essa qualidade, conveniência e praticidade de consumo”, diz Maia.

O impacto positivo no ecossistema já acontece com uma pessoa consumindo de maneira consciente, mas ele é ainda maior quando mais pessoas fazem o mesmo. Por isso, o objetivo da Pink Farms para os próximos cinco anos inclui diversos planos de redução de custo de produção, levando à queda no preço final ao consumidor.

Pandemia e investimentos

A Pink Farms vende para restaurantes, varejo e diretamente para o consumidor final. A startup sentiu os efeitos da pandemia com o fechamento dos restaurantes, que representavam os maiores compradores de algumas linhas de produtos. “Tivemos que migrar os esforços para o varejo para manter o faturamento inicialmente e, depois, continuar aumentando mês a mês”, revela Geraldo Maia.

De toda forma, os números impactam. A startup já recebeu aportes de investidores-anjos, crowdfunding e fundos de Venture Capital, como SP Ventures e Capital Lab, o que resultou em R$ 8,8 milhões.