Por que é tão importante fazer o planejamento financeiro de sua empresa

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Prever cenários, expandir operações e evitar dores de cabeça são algumas das vantagens de um bom planejamento financeiro


Reconhecer que as inúmeras etapas da existência de um negócio exige a compreensão de que planejamentos, além de serem essenciais, estão em constante transformação. Em um contexto de mudanças de cenários, o empreendedor deve se apoiar na visão crítica e analítica de cada processo de sua empresa – incluindo as finanças.

Segundo Paula Bazzo, especialista em planejamento financeiro para pequenos e médios negócios, fazer um planejamento é o mesmo que traçar com objetividade as suas projeções financeiras. Ele surge após uma análise aprofundada da condição financeira atual e, seja para pessoas jurídicas ou pessoas físicas, traçar metas é parte indispensável, sejam elas de curto, médio ou longo prazo. “Muitas pessoas só olham para o planejamento financeiro quando estão enfrentando algum problema específico, e isso é um erro grave e comum”, explica a especialista.

Para ela, o planejamento atua como uma espécie de bússola, guiando o empreendedor rumo a decisões mais acertadas. “A análise de resultados financeiros é o primeiro complicador do processo, pois a ausência de acompanhamento de faturamentos prejudica o capital de giro de uma empresa’.

Atualmente, um dos maiores desafios dos empreendedores brasileiros é apostar em uma gestão intuitiva. “Não existem métricas de acompanhamento para checar se o que foi planejado está de fato funcionando”, diz. “Somente com um plano financeiro, isso pode ser solucionado, pois passos mais assertivos serão tomados a partir disso”, explica. Segundo Paula, o controle financeiro deve fazer parte da gestão básica da empresa, e a priorização desse controle deve ser prática comum entre toda a diretoria e até mesmo por parte dos colaboradores. 

 

Entre as principais ferramentas para o planejamento e acompanhamento financeiro de um negócio estão o fluxo de caixa, responsável pelo controle operacional do dia a dia, e o  demonstrativo de resultados, chamado de DRE, que é focado em resultados consolidados de determinado período – como valores pagos em impostos, custos de produção, despesas operacionais, e lucro. 


Por que é tão importante fazer esse planejamento?


Quando falamos em fazer um planejamento financeiro, estamos fazendo referência a oxigenar uma empresa e mantê-la viva.”, diz Paula. Para o empresário, ter controle do que está acontecendo dentro da empresa é fundamental para a gestão. “Se não temos um bom planejamento financeiro, não temos informações de forma acessível, o que gera um completo desentendimento do gestor a respeito do seu próprio negócio”.

Um planejamento bem estruturado também permite ao microempreendedor traçar planos para o futuro, além de motivar financeiramente os seus colaboradores, deixando claro onde a empresa deseja chegar – e como. O entendimento traz segurança na hora de repassar informações aos seus colaboradores a respeito de corte de custos ou redirecionamento de investimentos, por exemplo. Segundo Paula, isso não se trata de uma coisa rígida. Apesar de existirem cenários que não podem ser previstos, ainda é possível reconfigurar o planejamento, de acordo com situações de crise econômica.

De acordo com a especialista, existem 4 falhas comuns entre empreendedores no que diz respeito à gestão e ao controle de suas finanças, que exemplificam a necessidade de um planejamento financeiro. Em primeiro lugar, está o envolvimento do dono no negócio na operação, enquanto não pensa tanto no planejamento da empresa. “A falta de conhecimento o torna muito mais operacional do que estratégico, deixando as ações táticas em segundo plano”. Apagando incêndios, o gestor acaba voltado especialmente para conter problemas urgentes, e a tarefa de gestão acaba se tornando pesada e desinteressante.  

Em segundo lugar está o medo de delegar, algo comum na área de gestão e operação financeira. “O empreendedor repassa todo o controle de marketing e vendas, por exemplo, para terceiros, mas é incapaz de terceirizar o controle financeiro. Isso é inviável para o sucesso”, diz. 

Em seguida está a mistura de contas empresariais e pessoais. “É muito comum situações em que o caixa da empresa acaba se tornando em um caixa eletrônico para o empresário,  e ele acaba perdendo totalmente o controle de quanto entra e quanto sai”.  Por último, a falta de clareza sobre onde você quer chegar. “o desconhecimento dos objetivos desnorteiam o gestor na suas tomadas de decisão, e consequentemente, ele faz escolhas financeiras incorretas”, diz.