Saiba tudo sobre a fintech Grão

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A CEO Monica Saccarelli fala sobre seu papel como líder e as motivações que a fizeram criar o app de poupança digital e microinvestimento.


Desde pequena, a empresária Monica Saccarelli pensava em criações para fazer dinheiro e ter independência financeira. Depois de se tornar a primeira sócia mulher da corretora Link Investimentos, de fundar e vender a Rico Investimentos para o Grupo XP e tirar um ano sabático no Vale do Silício, hoje, aos 43 anos, ela é a CEO da Grão, uma fintech que auxilia os brasileiros a lidar melhor com o dinheiro.

O que é a Grão?

A Grão é um aplicativo para guardar dinheiro, voltado principalmente para o público de baixa renda.  É como uma poupança digital, em que os valores guardados são investidos em Títulos Públicos e geram rendimento de até 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – o principal indexador de investimentos de renda fixa.

Segundo Monica, o app reforça que dá para ter rentabilidade a partir de um real. Com isso, a Grão se torna uma opção gratuita de microinvestimento para pessoas que hoje guardam dinheiro em casa, debaixo do colchão ou na lata de achocolatado. “Quando a gente fala em investimento, muitos ainda têm a percepção de que é coisa de rico. A gente quis trazer tecnologia, facilidade, simplicidade e gestão financeira para um público desbancarizado e que não tem esse conhecimento”, conta Monica.

A Grão também possui um cartão de débito na conta digital e oferece sugestões de valores para guardar de acordo com a entrada de salário e definição de objetivos. “O nome é para mostrar que, de grão em grão, é possível alcançar um objetivo. Se você quiser comprar uma moto para ir ao trabalho, você pode. De pouco em pouco”.

Liderança feminina

Apaixonada pelo mercado financeiro, Monica nota que ainda há poucas mulheres no ramo, mas que isso nunca foi uma preocupação para ela. “Sempre lutei pela minha posição e nunca me coloquei em um lugar de não poder fazer algo por ser mulher”, relata. “Já fiz pitch para uma mesa de 12 homens. O que quero é ver mais mulheres investidoras, empreendendo e fundando empresas”.

O pitch é uma apresentação curta cujo objetivo é despertar o interesse de investidores para o negócio.

Quando questionada sobre os aprendizados que conquistou ao longo de sua trajetória como líder, Monica fala sobre maturidade. “Lá atrás eu tinha 30 anos, hoje tenho 43. A experiência faz você ser diferente, ter mais tolerância, escutar mais”.

Ainda assim, ela ressalta que todo dia é diferente e que, na Grão, tem aprendido ainda mais. “Não busco repetir a mesma história. O legal do empreender é que não tem uma fórmula, todo dia você está lutando e aprendendo”. A dica que ela dá para outras mulheres buscarem a liderança? Ter resiliência, acreditar e não desistir.

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De grão em grão 

De acordo com a CEO da Grão, a empresa tem 47 mil clientes no Brasil e cresceu quatro vezes no ano de 2020, em comparação com 2019. Mesmo com a pandemia, a equipe dobrou, passou a atuar em casa e contou com a chegada de profissionais de diversas regiões do Brasil. “No início fiquei insegura, como todo mundo, mas foi um aprendizado também como líder. Acredito no híbrido, na flexibilidade de trabalho”, conta Monica.

A fintech também já passou pelo programa de mentoria do boostLAB, do BTG Pactual para empresas tech. A expectativa em 2021 é participar de uma rodada de investimentos, aprimorar o aplicativo e continuar crescendo.