Venture Capital: conheça um dos principais investimentos para startups

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Saiba como está se comportando o mercado de Venture Capital no Brasil e quais os melhores caminhos para sua empresa conseguir um aporte


Venture Capital também conhecido por “capital de risco” ou, simplesmente VC, trata-se de um investimento direcionado a startups que tenham um potencial de crescimento significativo. O diferencial do Venture Capital é que a injeção de recursos não se limita somente ao dinheiro. Pode ser realizada por meio de aquisição de ações, direitos de participação e até influência na gestão do negócio.

Eduardo Küpper, Head de Venture Capital da Inovabra Ventures, explica de forma simples que o Venture Capital é a modalidade de investimento, seja capital próprio ou de terceiros, em empresas com alto potencial de crescimento. “Como as apostas são de alto risco, já sabemos que muitas empresas nas quais vamos investir não darão certo. Por isso, é preciso ter em mente, que algumas daquelas apostas tenham o potencial de, dando certo, trazer um retorno altíssimo, capaz de pagar todas as outras apostas”, reforça.

Venture Capital no Brasil

De acordo com o último levantamento realizado pelo Distrito Dataminer, entidade dedicada a pesquisas sobre Venture Capital, o mercado movimentou US$ 221 milhões (R$ 1,27 bilhão) em outubro no Brasil, com um total de 49 aportes feitos em startups. O valor é mais que o triplo do registrado no mesmo mês em 2019. Apesar de toda a cautela adotada no início da pandemia do coronavírus, o mercado voltou a tomar fôlego recentemente, motivado pela presença de fundos estrangeiros. Além disso, a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP) divulgou que o total de capital comprometido pelos fundos de private equity e venture capital já chegam a R$ 153,2 bilhões, o que representa um aumento médio de 28% ao ano.

Küpper avalia que o mercado de Venture Capital segue aquecido e que não houve impactos significativos devido à pandemia, como em outros setores. Segundo o especialista, alguns setores que historicamente não recebiam muita atenção agora têm aparecido mais, como é o caso de saúde e educação. “Empresas de tecnologia e sem ativos (asset light) foram muito beneficiadas. No entanto, como vínhamos de um período de bonança, os investidores de Venture Capital estavam se aventurando em outros setores que possuem ativos (como os de patinetes, imóveis, hardware, etc), que naturalmente precisam de mais capital. Quem não tinha uma reserva de caixa ou números para poder se segurar nessa pandemia sofreu bastante” explica.

Obviamente, cada setor foi atingido (ou não) de diferentes formas. Küpper cita como exemplos as startups do setor turístico e de locação de espaços compartilhados como algumas das que mais sofreram com os efeitos. Ao mesmo tempo, empresas que se dedicavam a serviços de videochamadas não tiveram do que reclamar. “Uma ação da ferramenta Zoom, antes da pandemia, valia cerca de 80 dólares. Ela chegou a vale 600 dólares, embora hoje esteja na casa dos 350 dólares. De qualquer forma ela vale 4-5 vezes mais do que 1 ano atras”, revela.

Como se preparar para o investidor de Venture Capital

Engana-se o empreendedor que acha que precisa esperar muito tempo para procurar o suporte de uma Venture Capital. Confira algumas dicas sobre o que é realmente necessário antes de iniciar a busca:

Tenha uma ideia e uma visão de execução bem formatada

Segundo Küpper, as empresas que chegam até uma Venture Capital, geralmente ainda não possuam características as quais os executivos julgam como imprescindíveis para o sucesso, como a estrutura comercial minimamente ajustada. Entretanto é preciso ter claro o produto e o mercado em que vão atuar. “Outro ponto é que, em geral existem diversos tipos de investidores para as diferentes fase da vida da empresa e, quanto mais investidores o empreendedor conhecer, mais chances tem de encontrar o investidor ideal”.

Conheça muito bem os números do seu setor, das empresas concorrentes e da sua própria empresa

Desconhecer esses dados pode dar a impressão de que o empreendedor não está apto para desenvolver a empresa. Estude essas informações minuciosamente antes de qualquer apresentação.

Demonstre o que vai fazer com o investimento

Se o empreendedor não demonstrar clareza no uso do capital que está buscando vai ter mais dificuldade em levantar o capital. O especialista acha válido mostrar quais são os principais usos e tentar elucidá-los com exemplo baseado no histórico de operação da própria empresa. “Se o empreendedor não demonstrar que está ‘on top’ do que será feito com o investimento, já acende uma luz amarela”, avisa Küpper.

Esteja atento aos critérios avaliados por cada Venture Capital ao investir em uma startup

E quais são esses critérios exatamente? Tamanho de mercado e qualidade do time são essenciais quando ela está em fase inicial e, a medida que a empresa vai se desenvolvendo, a aderência do produto se torna mais relevante também. “Uma das principais vantagem de um Venture Capital como investidor é a ajuda no acesso a um capital para um crescimento acelerado, fazendo com que a empresa se valorize mais do que faria sem o investimento. Por outro lado, o Venture Capital fica com uma parte do negócio, mas o objetivo é que o empreendedor ganhe mais do que ganharia se trilhasse o caminho sozinho”, conclui o Investidor.

Crédito ou Venture Capital?

Qual a melhor forma de alavancar um negócio: buscar uma linha de crédito em um banco privado ou em um fundo de Venture Capital? Küpper acredita que não existe um tipo de financiamento melhor ou pior para uma startup que quer alavancar o crescimento. Cada tipo de financiamento tem o seu uso. “O que acontece é que, para os modelos de negócio geralmente perseguidos pelos empreendedores, apenas o dinheiro de Venture Capital está disponível, mas é o mais caro. Outro ponto importante é que o risco em um linha de financiamentos é maior para o empreendedor, caso a empreitada não dê certo” explica.

Estamos em uma era de transformação. A economia como um todo e o contexto em que vivemos estão passando por mudanças. As empresas que nasceram nesse novo contexto têm vantagens, já que naturalmente acabam criando experiências mais alinhadas a essa nova realidade. “Modelos de negócio que não eram possíveis passam a existir, mudando a relação entre os envolvidos, criando novas relações e acabando com outras. É aquela história: quantas profissões que existiam na sua infância e que não existem mais?”, questiona Küpper.

O especialista acredita que quem se formou em Marketing há 20 anos não tinha como saber o impacto das mídias sociais, mas, ao mesmo tempo, os cursos também não se empenharam o suficiente para elucidar essas mudanças. “O que me espanta é que alguns cursos de marketing ainda não possuem visões aprofundadas sobre ferramentas de marketing de performance, ou visão da jornada do cliente no detalhe”, destaca.  Segundo Küpper, hoje, o mercado de Venture Capital influencia também as relações de mercado e a competitividade entre as empresas, pois uma companhia com um fundo de investimento por trás, geralmente tem alguns fatores que a diferenciam dos concorrentes, mas os mais importantes são governança, acesso a capital, contatos e eficiência operacional.